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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Milhares em Fátima expectantes pela vinda de Francisco


O Santuário de Fátima recebeu ontem cerca de 200 mil peregrinos que participaram na 98ª Peregrinação aniversaria das aparições de Nossa Senhora naquele lugar. Entre as aclamações da multidão movida pela fé fez-se notar a expectativa da presença do Papa Francisco nas celebrações centenárias que ocorrem em 2017.
Por: Luís Freire m6562

Com um recinto bastante mais reduzido, devido às obras que nele ocorrem, o Santuário de Fátima foi, mais uma vez, pequeno para acolher os peregrinos que participaram nas celebrações do 12 e 13 de Maio. O sinal das obras é, por si mesmo, um agoiro da grande celebração dos 100 anos das aparições da Virgem Maria naquele lugar, que o santuário está a preparar com grande antecipação.

Foram cerca de 200 mil os peregrinos, segundo as estatísticas do próprio Santuário, a participar nas celebrações. E, apesar de um grande número dos participantes ser de origem estrangeira, particularmente do Brasil, a maioria dos peregrinos foram os portugueses que guardam religiosamente o preceito de ali estar por estes dias.

As celebrações, este ano presididas pelo Arcebispo de Aparecida (Brasil), Cardeal D. Raymundo Damasceno Assis, trouxeram a geminação entre o Santuário português e o santuário da Aparecida que em 2017 celebra os seus trezentos anos. Na homilia que proferiu o Cardeal  brasileiro falou que mais do que a história ou a cultura, “aquilo que mais une Portugal e o Brasil é a fé, que se expressa na mesma língua”.

Para efectivar esta geminação, foi entronizada uma imagem da Senhora da Aparecida num lugar próprio do santuário português, à imagem do que tinha já acontecido em Outubro passado, quando o Bispo de Leiria Fátima levou até ao Brasil uma imagem de Fátima.

Os dois santuários unem-se na preparação das suas celebrações centenárias e ambos reclamam e esperam a visita do Papa Francisco. Este, na semana passada, demonstrou vontade de se deslocar a Fátima, dizendo a D. António Marto, que “se Deus lhe der vida e saúde”, virá ao centenário das aparições.

Ontem, á hora em que os peregrinos portugueses rezavam na Cova da Iria, o Papa Francisco reunido com milhares de fiéis na praça de S. Pedro, mandou colocar uma imagem da Virgem de Fátima no lugar da sua catequese semanal. Surpreendente foi o facto de ter mandado a um padre português ali a trabalhar no Vaticano, que rezasse uma Avé-maria, por ser dia de Nossa Senhora de Fátima.

A notícia, divulgada em plena celebração na Cova da Iria, fez irromper um forte aplauso à multidão, que reclama e espera a visita papal. Entre os peregrinos registaram-se vários desejos e vontade de que o Papa Francisco seja o quarto Papa a visitar este lugar de significativa importância para a Igreja em Portugal e Mundial.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A volta do catolicismo conservador faz o número de adeptos cair 19,6% no último século

A diferença de credo entre católicos e protestantes tem a sua
origem na Reforma do século XVI
Desde que os estados começaram a se tornar laicos, o número de católicos no mundo começou a diminuir. Embora a queda tenha ocorrido gradualmente entre as décadas de 1920 e 1940, a volta do catolicismo conservador após a morte do Papa João XXIII, em 1963, e com o surgimento de novos direitos civis, não aceitos pela igreja, fez com que o número de católicos no mundo despencasse de 48,5% da população mundial para 29,6%.

O sociólogo Emir Sader aponta outros fatores para o declínio da igreja católica. Para ele, aliam-se ao conservadorismo os problemas de corrupção e escândalos sexuais enfrentados pelo catolicismo. “No começo do capitalismo, a Igreja católica condenava os juros e, com eles, os banqueiros. Em primeiro lugar, porque com os juros a pessoa ganha com o suor do rosto alheio e não com o seu próprio suor. Em segundo, porque o tempo pertenceria a Deus e não ao banqueiro, que lucra apenas com o passar do tempo. Hoje a Igreja tem bancos que vivem dos juros, especulam, e entram nas negociatas financeiras” destaca o sociólogo.

Sobre os escândalos sexuais envolvendo padres e bispos, Sader é ainda mais crítico. “Os escândalos sexuais são uma manifestação clara que é impossível uma grande quantidade de pessoas se absterem de atividades sexuais. No caso da Igreja – uma instituição sumamente conservadora nos temas ligados à mulher, ao casamento, ao aborto, ao homossexualismo – se refletiu nas modalidades mais cruéis de vida sexual – a pedofilia”.

A outra face da queda do número de católicos pelo mundo é o consequente aumento de adeptos a outras religiões, como o protestantismo. Um movimento que iniciou na Europa Central no início do século XVI como uma reação contra as doutrinas e práticas do catolicismo romano medieval. O termo protestante é derivado do latim protestari que significa declaração pública ou protesto, relacionando-se diretamente com o inconformismo em aceitar algumas práticas da Igreja Católica.

Enquanto a população católica mundial é de 1,78 bilhão de fiéis, número considerado baixo para uma crença existente há mais de 2 mil anos, os protestantes já chegam aos 801 milhões de adeptos em menos de 500 anos. Embora ambas as religiões tenham surgido na Europa, é nas Américas que está o maior número de praticantes. De acordo com o Instituto Pew Research, 25% dos católicos de todo o planeta estão na América do Sul, enquanto 20% dos protestantes estão na América do Norte.

Um dos principais meios de conquista de adeptos protestantes, vem da ligação direta com Deus, onde cada pessoa pode se relacionar diretamente com ele, sem a necessidade de um intermediário, diferentemente do catolicismo, onde o único método de se obter a “salvação” é através de pessoas santificadas como padres e bispos.

Martinho Lutero, líder da
Reforma Protestante
O protestantismo em terras brasileiras

O protestantismo foi trazido ao Brasil pelos holandeses em 1625 e seus seguidores foram chamados de evangélicos. Em 1970, o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrava cerca de 4,8 milhões de evangélicos. Dez anos depois, em 1980, o número já era de 7,9 milhões de seguidores. 

Em 1991 aumentou para 13,7 milhões, chegando a casa dos 29,1 milhões em 2005. O instituto estima que, atualmente, os evangélicos representam 24% dos brasileiros (aproximadamente 44,3 milhões de pessoas). Segundo o IBGE, se esse crescimento se mantiver estável ao longo dos anos, no ano de 2025, metade da população brasileira será evangélica.


Papa Francisco é uma das apostas da Igreja Católica para
atrair novos e velhos adeptos. Foto: Tiziana Fabi/AFP

A estratégia da Igreja Católica para reverter o declínio

Teólogos e sociólogos apontam a canonização de papas estimados pelos fiéis, como João XXIII e João Paulo II, como estratégia da Igreja Católica para conter o declínio do número de adeptos. Para o pesquisador Johnny Bernardo tanto a canonização dos papas quanto a escolha de Francisco como sucessor de Bento XVI visam fortalecer a estratégia romana de absorção do protestantismo brasileiro e mundial por meio do ecumenismo.

Além disso, Bernardo também aponta que as recentes atitudes da igreja mostram uma preocupação com o crescimento das crenças evangélicas. “A escolha de Francisco como sucessor de Bento XVI, teve como base o fato de que o referido possui um histórico de diálogo com grupos protestantes da América Latina e, também, pela proximidade com o Brasil, país este recentemente intitulado pelo New York Times como ‘um laboratório para reverter o declínio do catolicismo’” comenta Bernardo.

O sociólogo Emir Sader ainda acrescenta que além de dialogar com os protestantes, o papa Francisco terá de retomar a imagem carismática de João XXIII e João Paulo II e demonstrar uma certa disponibilidade da igreja para aceitar os avanços da sociedade civil.

Por Fábio Giacomelli e Tâmela Grafolin - 23/04/2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015